IMPORTÂNCIA DA VERIFICAÇÃO DA VIA AÉREA EM PACIENTES QUEIMADOS NA EMERGÊNCIA

Área: Pré-Hospitalar

ANDRESSA PECHE TOCHETTO

Victor Schumacher Freire
Charlane Silva de Vasconcelos

Introdução: A lesão por inalação de fumaça é uma importante causa de morte em pacientes queimados por chamas. Resulta de um processo inflamatório nas vias aéreas após a inalação de subprodutos da combustão. O fenômeno causa sinais e sintomas locais e sistêmicos que agravam rapidamente o quadro do paciente vítima de queimadura. O risco da complicação por queimadura de via aérea é proporcional ao tempo de exposição aos componentes tóxicos da fumaça inalada. Na emergência, a via aérea do paciente deve ser o primeiro critério a ser avaliado, de acordo com a Advanced Trauma Life Support (ATLS), mesmo quando não há sinais externos sugestivos de queimadura local. Esta conduta é de extrema importância para reduzir as complicações e o risco de mortalidade destes pacientes. Método: Revisão sistemática a partir de artigos publicados na Revista Brasileira de Queimaduras e indexados nas bases de dados SciELO e UpToDate até junho de 2016, utilizando os descritores queimadura, via aérea, emergência e trauma . Os artigos foram selecionados de acordo com a relevância. Resultados e Conclusões: A inalação de fumaça é causadora de morte em grande parte dos pacientes vítimas de queimadura. As estratégias ventilatórias devem ser iniciadas o mais precoce possível para garantir ventilação, oxigenação e perfusão tecidual adequada. Inicia-se o suporte com oxigenoterapia para reverter a hipóxia tecidual, e se houver suspeita de queimadura de via aérea, realiza-se intubação orotraqueal. Os sinais mais comuns indicativos de intubação incluem: tosse persistente, estridor, rouquidão, queimaduras faciais, no pescoço ou circunferenciais profundas, narinas inflamadas ou cabelo chamuscado, escarro com fuligem, flictenas, edema da orofaringe, estado mental deprimido, desconforto respiratório, hipóxia, hipercapnia, níveis de monóxido de carbono ou cianeto elevados. Mesmo sem sinais externos indicativos de lesão, a verificação da via aérea é mandatória. O manejo inadequado do paciente com lesão por inalação de fumaça causa inúmeras complicações, dentre elas obstrução da via aérea por edema, ulcerações da mucosa, dispneia, confusão mental, torpor, coma e óbito. A identificação de pacientes com alto risco de obstrução de via aérea, associada ao manejo precoce nos quadros de lesão já instalada é conduta salvadora de vida no atendimento emergencial. Obedecendo estas medidas, pode-se reduzir significativamente a mortalidade e facilitar a reversão nos quadros de intoxicação.