DIFICULDADES NO MANEJO DE HIPOGLICEMIA NEONATAL EM ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA: UM RELATO DE CASO

Área: Pediatria

FERNANDA PITELKOW FIGUEIRA

Thomás Dias Souto Graví
Gabriela Cristina Colussi da Silva
Marcella Gonçalves Piovesan
Jaqueline Kniphoff dos Santos
Daniela Teixeira Borges

INTRODUÇÃO A hipoglicemia é o distúrbio metabólico mais comum no período neonatal, uma urgência médica pela possibilidade de gerar sequelas neurológicas graves. Em 2011, a Academia Americana de Pediatria propôs o limite operacional de 45mg/dL como valor mínimo antes da alimentação de rotina. Grupos de risco incluem pré-termos de muito baixo peso, filhos de diabéticas, grande para idade gestacional, prematuros tardios e pequenos para idade gestacional, sendo importante evitar a alta hospitalar antes das 48 horas de vida. O objetivo do trabalho é trazer as dificuldades de atendimento à urgência em Estratégia de Saúde da Família (ESF). RELATO A.S.S., masculino, recém-nascido (RN) em 22/02/16, Apgar 9/9, peso 3485g, Capurro de 39 semanas, 51cm de comprimento, adequado para idade gestacional, parto cesáreo, pré-natal, sem intercorrências, é levado à ESF no dia 24/02/16 pela mãe por volta das 15 horas, referindo, em acolhimento da enfermagem, que filho não mamava no peito desde alta hospitalar às 8 horas. Mãe tentou dar o seio, mas RN não conseguia sugar com eficiência. Durante o acolhimento, identificou-se quadro não responsivo do RN e se realizou HGT com resultado low. O soro glicosado não foi encontrado pela equipe, pois o responsável estava de férias. Introduziu-se solução com açúcar via oral. RN evoluiu com insuficiência respiratória e cianose perioral, necessitando de ventilação manual com Ambu pediátrico e se acionou a SAMU. RN chegou à emergência do Hospital Santa Cruz, em regular estado geral, HGT de 135 mg/dL após realização do push com soro glicosado à 50% pela SAMU. No momento da internação encontrava-se ativo e sugando seio materno. DISCUSSÃO Segundo o Ministério da Saúde, as atribuições das ESFs devem ser aplicadas por todos os municípios, referente às urgências de baixa complexidade, logo as unidades deveriam ter um espaço com medicamentos e materiais essenciais ao primeiro atendimento de urgências até transferência para maior complexidade. O soro glicosado deve constar no serviço com fácil acessibilidade e há exigência de uma equipe preparada para as situações não habituais, para não ocorrerem dificuldades no manejo de urgências. Além disso, ressalta-se a negligência na alta hospitalar antes das 48 horas de vida e no reforço quanto à amamentação tanto na “pega” quanto na sua frequência. CONCLUSÃO Torna-se imprescindível um bom preparo dos profissionais de saúde em todos os níveis de atenção, tanto na prevenção quanto manejo de urgências.