ÓBITOS POR AGRESSÃO INTERPESSOAL: INTERFACE DE UMA REALIDADE EM UM SERVIÇO DE EMERGÊNCIA EM FORTALEZA - CE

Área: Hospitalar

ANA FLÁVIA VIANA FURTADO

MARIA AUXILIADORA DE MORAIS
GABRIELA OLIVEIRA SOEIRO
FRANCISCO JOSÉ CÂNDIDO DA SILVA
SHERLA MARIA RIBEIRO ALENCAR LEITE
NICOLAS NUVENS FURTADO

Introdução: As agressões interpessoais se configuram como importante causa de internações em unidades de urgências e emergências. O conhecimento dos fatores de risco e o perfil desse grupo possibilitam melhor planejamento das medidas de prevenção, assim como das intervenções necessárias, considerando-se as mortes decorrentes desses eventos, tendo em vista a maior disponibilidade e qualidade dos dados de mortalidade. O estudo objetivou descrever a casuística relacionada à mortalidade dos pacientes vitimas de agressão física atendidos em um hospital de emergência no ano de 2015. Métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo e exploratório, com abordagem quantitativa, desenvolvido em um hospital de referência estadual no atendimento às vítimas de acidentes e violências. A população do estudo foi constituída por 2.954 pacientes vitimas de agressão interpessoal que foram atendidos no ano de 2016, e como amostra tivemos 434 pacientes que evoluíram a óbito. Os dados foram coletados mediante avaliação de dados secundários, por meio da ficha de investigação do Núcleo Hospitalar de Epidemiologia (NUHEPI) da instituição. Os dados foram compilados em planilha do Excel, analisados pelo sistema Epi Info e apresentados sob a forma de tabelas tendo como suporte a literatura relacionada à temática. Foram respeitados os preceitos éticos que envolvem pesquisas com seres humanos segundo a resolução 466/12. Resultados: Os homens foram os mais atingidos (407-93,7%) e a faixa etária mais afetada foi a de 20 a 29 anos (170-39,2%), provenientes de Fortaleza (294-72,2%). Os meses mais prevalentes foram janeiro (53-12,2%) e setembro (43-9,9%), nos dias de domingo e sexta com (73-16,8%) e (71-16,4%) respectivamente e evoluíram a óbito nas primeiras 24 horas após admissão no hospital (158-36,4%). Quanto ao motivo de internação o ferimento por arma de fogo destacou-se com o maior número de casos (363-86,6%), sendo trazido pela equipe do SAMU (159-36,6%), admitidos no horário entre 06 às 12h (210-37,7%) e com óbito na emergência do hospital (270-62,2%). Conclusões: O sexo masculino é mais vulnerável aos eventos relacionados à violência, com ênfase na plena atividade e produtividade. Ressaltamos a participação relevante das armas de fogo nesse padrão de mortalidade e a importância de políticas públicas voltadas a esse público, no qual o profissional de saúde mediante o processo de prevenção e promoção da saúde atua precocemente sobre complicações advindas das violências.