CARACTERIZAÇÃO DA VENTILAÇÃO MECÂNICA INICIAL EM UM SERVIÇO DE EMERGÊNCIA DE HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

Área: Hospitalar

DILON ANTONIO SCHMITT

Fernanda Machado Balzan
Fernando Nataniel Vieira
Joares Luiz Moretti Junior
Suane Correa Viana
Augusto Savi

INTRODUÇÃO: A Ventilação Mecânica (VM) nos serviços de emergência (SE) não é rigorosamente estudada, apesar da frequência de intubações endotraqueais em pacientes criticamente enfermos. A ventilação pulmonar protetora utilizando baixos volumes correntes (VC) entre 6-8 mL/kg peso predito (PP) é recomendada nos guidelines de ventilação em pacientes sem Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA), todavia resulta em uma notável e indesejada variação prática. Tendo em vista estes fatos, há uma lacuna de dados descritivos que caracterizam como a ventilação mecânica protetora é usada nos SE. Portanto, o objetivo do estudo foi caracterizar o uso inicial da VM em pacientes críticos no SE de um hospital universitário de alta complexidade. MÉTODO: Trata-se de um estudo observacional e prospectivo. Foram incluídos no estudo pacientes maiores de 18 anos que internaram no SE e foram submetidos à VM por mais de 1 hora durante o período de Novembro de 2015 a Abril de 2016. Foram excluídos pacientes com mau prognóstico e óbito na emergência. Foram coletados dados no prontuário dos pacientes e nos ventiladores mecânicos. Os parâmetros ventilatórios iniciais eram definidos por médicos ou fisioterapeutas. RESULTADOS: Foram analisados 52 pacientes, sendo 47% homens. As causas mais comuns de internação foram insuficiência respiratória aguda e sepse. O modo ventilatório mais utilizado foi volume controlado (63%) e pressão controlada (30%), com pressão expiratória positiva final (PEEP) média de 7,05 cmH2O, VC médio de 438 mL, Fração Inspirada de Oxigênio (FiO2) média de 61% e pressão platô média de 18,1 ± 6,8 cmH2O. Os pacientes foram ventilados em média 18,8 ± 21,8 horas no SE. Médicos ventilaram 75% dos pacientes com VC≤6-8 mL/kg PP, enquanto que fisioterapeutas utilizaram a mesma estratégia em 88% dos casos. A média geral do VC foi de 7,26 ± 0,75 mL/kg PP. Quatro pacientes evoluíram para SARA no SE, sendo que todos foram ventilados protetoramente. Quanto ao seguimento, 45 pacientes foram transferidos para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI) com tempo médio de permanência de 10,6 ± 15,4 dias; 7 pacientes foram traqueostomizados; 55,7% foram a óbito no CTI ou na enfermaria e 44,2% receberam alta hospitalar. CONCLUSÕES: O uso de ventilação pulmonar protetora no SE ainda não é comum. A heterogeneidade das práticas encontradas mostra-se como uma oportunidade para padronizar o uso dessa estratégia ventilatória inicial em pacientes críticos sem SARA.