Empiema estafilocócico em RN de mãe com mastite

Área: Pediatria

BETTINA DANIELA RODRIGUES FELTES

Laura Becker de Souza
Leonardo Bosi Moreira
Fernanda Feuerharmel Soares da Silva
Cristiano do Amaral de Leon
Lisiane Palermo Prochnow da Costa

INTRODUÇÃO: Empiema desenvolve-se a partir de infecções pulmonares sendo pneumonia uma importante causa. Um possível agente etiológico é o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) apesar de pouco frequente. Assim, relatamos o caso de um recém-nascido com diagnóstico de pneumonia complicada com empiema secundária à contaminação por mastite materna, sem descrição prévia encontrada em revisão bibliográfica. MÉTODO: Relato de caso com revisão de prontuário e exames. RESULTADOS: M.A., feminina, 18 dias de vida previamente hígida chega à emergência de um hospital pediátrico, encaminhada de um pronto atendimento com queixas de 2 dias de febre (38,5oC), hipoatividade e distensão abdominal. Encontrava-se em regular estado geral, hipoativa e ausculta pulmonar com murmúrio vesicular diminuído à esquerda, crepitantes e sinais de esforço respiratório; estável hemodinamicamente. Em aleitamento materno exclusivo e mãe em tratamento de mastite há 1 semana. Realizada triagem para sepse neonatal com exames de sangue, líquor, urina e Rx de tórax que evidenciou opacidades consolidativas em base esquerda com derrame pleural moderado e coleção aérea no terço médio. Iniciado tratamento com ampicilina e cefepime. Tomografia de tórax para exclusão de malformação congênita pulmonar evidenciou pulmão esquerdo parcialmente colapsado, espessamento pleural importante e opacidades no lobo inferior, evidenciando empiema; sem sinais de malformação congênita. Realizou-se toracocentese com saída de líquido purulento e introduziu-se dreno de tórax em selo d’água. Análise de líquido pleural apresentou Staphylococcus aureus MRSA, confirmando diagnóstico pneumonia complicada com empiema. A paciente foi transferida para UTI pediátrica, permanecendo por 4 dias. Antibiótico foi trocado por clindamicina que manteve por 20 dias. Após fechamento do óstio do dreno de tórax e melhora clínica recebeu alta hospitalar mantendo acompanhamento ambulatorial com a pneumologia. CONCLUSÃO: A pneumonia estafilcócica em recém-nascidos tem prevalência em torno de 2% e raramente evolui com empiema. A incidência de mastite por estafilococos MRSA ainda é desconhecida e a relação entre as duas patologias não foi descrita previamente. Portanto, presente estudo mostra a importância da anamnese completa incluindo comorbidades maternas para elucidação de patologias do recém-nascido, e a importância da análise do líquido pleural para identificação do agente causal e escolha do tratamento mais adequado.