Aspiração de corpo estranho em pediatria-Casuística de 5 anos

Área: Pediatria

LUCAS TADASHI WADA AMARAL

Andrea de Melo Alexandre Fraga
Lucas Tadachi Wada Amaral
Maíra Bianquim Torrezan
Fernando Belluomini
Marcelo Conrado dos Reis
Emílio Carlos Elias Baracat

Introdução: A aspiração de corpo estranho é uma situação potencialmente fatal na faixa etária pediátrica. O objetivo deste estudo é analisar as manifestações clínicas, achados radiográficos e broncoscópicos, identificar fatores determinantes de complicações na evolução de crianças e determinar a origem das crianças com idade menor que 14 anos que aspiraram corpo estranho (CE). Método: Estudo retrospectivo e descritivo de 76 prontuários, em 39 crianças constatado e removido CE através de broncoscopia rígida no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2015 na Unidade de Emergência Pediátrica do Hospital de Clínicas da UNICAMP. Foi utilizado o teste de Quiquadrado e o valor p<0,05 considerado como significativo. Resultados: A faixa etária dos pacientes variou de um mês a 14 anos e 66.6% dos pacientes tinham idade menor que três anos. Vinte e uma crianças (53.8%) eram do sexo masculino. A principal queixa foi tosse de início súbito (75,4%) e 76.9% dos pacientes foram admitidas no hospital nas primeiras 48 horas de ocorrência do evento. Insuficiência respiratória foi observada em 13 pacientes (33.3%), apresentando desconforto respiratório, gemência ou cianose. Alteração radiográfica observada em 76.9% dos exames e atelectasia foi o achado frequente (26%). O CE estava localizado predominantemente na árvore brônquica direita (53.8%), origem vegetal em 35.8% e principalmente amendoim. Na evolução, 26% dos pacientes apresentaram complicações, principalmente atelectasia (20,5%), sendo estas estatisticamente mais frequentes em crianças com tempo de aspiração maior que 48 horas. Broncoscopia para remoção do CE foi repetida em 3 casos (um deles 5 repetições), em um desses casos houve complicação com pneumonia e necessidade de internação em UTI. Ventilação mecânica invasiva foi necessária em cinco pacientes. Foram recebidos 10 paciente por central de vagas e 5, por “vaga zero” 12 paciente (30,7%) procuraram o serviço por procura espontânea e 27 foram encaminhados de serviços da região. Não ocorreu óbito nesta casuística. Conclusão: História clínica com início súbito de tosse, mesmo sem desconforto respiratório, independente de anormalidade no exame radiográfico, devem ser considerados no diagnóstico de aspiração de CE e a broncoscopia deve ser indicada. A alta prevalência de corpos estranhos de origem vegetal alerta para a necessidade de intensificar programas de prevenção, dirigidos aos cuidadores de crianças menores de três anos.