INCIDÊNCIA DE ESPINHA BÍFIDA NO BRASIL ENTRE OS ANOS DE 2009 A 2015

Área: Pediatria

LINCOLN VALÉRIO ANDRADE RODRIGUES

Keila Raiany Pereira Silva
Edrei Maia Soares
Dâmaris Versiani Caldeira Gonçalves
Philippe de Figueiredo Braga Colares

Introdução: A espinha bífida é uma malformação congênita do sistema nervoso central provocada pelo fechamento incompleto do tubo neural, estrutura do embrião que será responsável pela formação do encéfalo e da medula espinhal. Os fatores de risco conhecidos são: genéticos, baixa escolaridade, idade (menores de 19 e maiores de 40 anos) e deficiência de ácido fólico. Nesse sentido, o objetivo desse estudo é analisar a incidência de internações por espinha bífida no Brasil no período de 2008-2015. Métodos: Trata-se de um estudo de investigação, retrospectivo, seccional, de caráter descritivo e quantitativo. Teve como universo de pesquisa a base de dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) referente aos dados de morbidade hospitalar do SUS por espinha bífida no Brasil entre os anos de 2009 e 2015. Resultados: Foram encontrados no Brasil um total de 4000 casos entre 2009 e 2015. Do total de casos, 420 ocorreram em 2009, 386 em 2010, 472 em 2011, 488 em 2012, 508 em 2013, 604 em 2014 e 705 em 2015. O ano de 2015 teve um aumento de 67,85% nos casos em relação ao início da análise, em 2009. A espinha bífida pode gerar deformidades musculoesqueléticas e incontinência de esfíncteres, gerando prejuízo significativo na qualidade de vida. Uma medida comprovadamente eficiente para sua prevenção é a suplementação de ácido fólico a partir do momento que a mulher manifesta desejo de engravidar. O governo instituiu a suplementação de ácido fólico na farinha de trigo e de milho em 2004, além de fornecer o comprimido para uso antes e durante o início da gestação, que inicialmente gerou redução do número de casos, mas nos últimos anos há um aumento progressivo. Conclusão: A baixa escolaridade, má adesão ao pré-natal, gravidez precoce e a não suplementação de ácido fólico, comum nas classes menos favorecidas, pode explicar o aumento do número de casos, mesmo com programas específicos do governo. Em vista do número crescente de casos de espinha bífida, deve-se estimular uma melhor abordagem das mulheres em idade fértil, sobretudo as com fatores de risco identificados por consultas pregressas, buscando principalmente a suplementação adequada de ácido fólico.