ASPECTOS DO CUIDADO AO POTENCIAL DOADOR DE ÓRGÃOS E TECIDOS: O QUE DIZEM PROFISSIONAIS E ESTUDANTES ENVOLVIDOS

Área: Hospitalar

NADIELE SOUZA DO NASCIMENTO

TACIANE CORREA DOS SANTOS
JOSÉ JEOVÁ MOURÃO NETTO
ANTONIA SMARA RODRIGUES SILVA
RITA PATRÍCIA MACHADO DE OLIVEIRA
ANTONIA RAFAELLA FERREIRA GOMES

Introdução: No Brasil, o Conselho Federal de Medicina, na resolução CFM nº 1.346/91, define morte encefálica como a parada total e irreversível das funções encefálicas, de causa conhecida e constatada de modo indiscutível. Grandes discussões têm emergido das questões que envolvem a manutenção e doação de órgãos e tecidos, dentre elas as dificuldades enfrentadas pela equipe de saúde. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), o Brasil dispõe do maior programa público de transplantes do mundo e com aumento expressivo do número de transplante, embora ainda insuficiente. Objetivou-se analisar o processo de manutenção de potenciais doadores na perspectiva de profissionais e acadêmicos da Organização de Procura de Órgãos - OPO de um Hospital da Zona Norte do estado do Ceará. Métodos: Tratou-se de uma pesquisa exploratório-descritiva, com abordagem qualitativa do tipo relato de campo, realizada no bloco emergência de um hospital de ensino. Participaram da pesquisa doze profissinais envolvidos no processo de manutenção do potencial doador e nove acadêmicos/bolsistas da equipe da Organização de Procura de Órgãos (OPO), que é composta por acadêmicos de Enfermagem e Medicina. Para a coleta de informações foi utilizada entrevista semiestruturada e os resultados foram analisados conforme a técnica de categorização. A pesquisa atendeu às exigências éticas e científicas fundamentais para o trabalho com seres humanos. Resultados: Os resultados foram analisados em duas categorias: percepção sobre o trabalho da OPO e os entraves no processo de manutenção do potencial doador. Assim, os principais entraves foram: recursos humanos, recursos financeiros (subfinanciamento), recusa familiar (carência de informação e educação da população quanto a doação de órgãos), grande tempo de espera pelos resultados dos exames e a falta de estrutura física e equipamentos para se obter uma manutenção adequada. Conclusão: É necessária uma equipe da OPO exclusiva e sempre disponível, melhores condições de trabalho, melhores estruturas, educação permanente dos profissionais e sensibilização da população sobre a importância da doação. Apesar das fragilidades apontadas, o Hospital consegue se destacar, no Estado, pelo número de captações realizadas.