Desempenho do Sistema de Triagem de Manchester em Pacientes Pediátricos em Emergência de Hospital Terciário do Brasil

Área: Pediatria

LUCIANO PASSAMANI DIOGO

Laura Fuchs Bahlis
Patricia Lago
João Carlos Santana
Ricardo de Souza Kuchrnbecker
Caroline Ziani Dalla Pozza

Introdução: Unidades de emergência necessitam de triagem para priorizar pacientes. Sistemas de triagem devem ser capazes de identificar pacientes que necessitam de atenção imediata, assim como aqueles que podem aguardar de forma segura por um tempo mais prolongado ou que não necessitam de cuidado de emergência. Já é sabido que avaliação subjetiva pela equipe de enfermagem apresenta baixa sensibilidade e especificidade, sendo portanto necessárias formas sistematizadas para triagem de pacientes. O sistema de triagem de Manchester (STM) é utilizado amplamente em emergências em todo mundo, porém estudos recentes questionam sua eficiência em pacientes pediátricos. Métodos: Com objetivo de avaliar a eficácia do sistema de triagem de Manchester em pacientes pediátricos, realizamos estudo de coorte retrospectiva com banco de dados administrativos de um hospital terciário universitário do sul do Brasil. Todos pacientes menores de 13 anos atendidos na unidade de emergência de 01 de janeiro à 31 de dezembro de 2015 foram incluídos. Os desfechos principais foram mortalidade até o momento da alta da emergência e necessidade de internação hospitalar. Foi realizada analise descritiva, correlação de Spearman, além de curva ROC para avaliar acurácia em predição de necessidade de internação hospitalar. Resultados: Durante o período do estudo, um total de 11333 pacientes pediátricos (<13 anos) foram atendidos na unidade de emergência. A idade média foi de 2,88 anos com (DP 3,57) e mediana de 1 ano. 6054(53,4%) do gênero masculino. Não houve classificação de risco em 497(4,4%), 48 (0,4%) foram classificados como não urgentes, 4277 (37,7%) pouco urgentes, 4634 (40,9%) urgentes, 1820 (16%) muito urgentes e 66 (0,6%) atendimento de emergência. Hoveram apenas 3 mortes neste período, todos dentro do grupo emergência, não sendo realizado analise para este desfecho. A acurácia do STM para internação aferido pela área sobre a curva ROC foi de 0,623 IC-95% (0,587-0659) p= 0,018. Houve correlação positiva entre aumento do escore de gravidade e tempo de internação, r=0,123 (p<0,001). Discussão: O baixo número de ocorrências de óbito não nos permitiu avaliar este desfecho. Em relação a necessidade de internação, o STM apresentou desempenho moderado, condizendo com estudos internacionais previamente publicados. Nosso estudo é o primeiro realizado no Brasil, corroborando com as evidencias disponíveis de que o STM deve ser utilizado com cautela em pacientes pediátricos.