TRATAMENTO NÃO OPERATÓRIO DE LESÕES ESPLÊNICAS: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Área: Hospitalar

LEONARDO LANES DA SILVEIRA

Natália Boufleuer
Ewerton Nunes Morais

INTRODUÇÃO: A mudança de tratamento cirúrgico para não operatório (TNO) no trauma abdominal de órgãos parenquimatosos como o baço é uma das maiores revoluções na abordagem do trauma, em especial após o advento da Tomografia Computadorizada (TC). As principais vantagens são diminuição de morbidade pelo menor risco de infecções secundárias à asplenia e menor tempo de internação hospitalar. Os critérios de seleção para TNO incluem idade menor que 55 anos, reposição volêmica mínima, ausência de significante traumatismo cranioencefálico e ausência de lesões intra-abdominais concomitantes. A única contraindicação absoluta é a instabilidade hemodinâmica sem resposta à reposição de fluidos. Contraindicações questionáveis são altos graus de lesão na TC, extravasamento ativo de contraste, hemoperitônio volumoso, necessidade de reposição volêmica, Injury Severity Score maior que 15 e presença de múltiplas lesões de órgãos sólidos. O tratamento conservador consiste na observação clínica do paciente em ambiente monitorizado, mantido em jejum e com avaliações seriadas do hematócrito, além de angiografia com ou sem embolização seletiva ou da artéria proximal, quando há lesões de alto grau, com extravasamento de contraste na TC ou com persistência de taquicardia e queda do hematócrito. MÉTODOS: Este estudo contemplou três artigos de revisão indexados nas bases Medline e SciELO entre 2013 e 2016, utilizando os descritores splenic injury, nonoperative manegement, em língua inglesa e portuguesa. RESULTADOS: As lesões esplênicas penetrantes foram tratadas sem cirurgia em cerca de 62,4% dos casos e nos traumas contusos em 85,6% dos casos. A taxa de TNO em pacientes com mais de 18 anos foi de 81,8%, enquanto em menores de 18 anos foi de 91,8%. As falhas podem chegar a 10,8% e resultam de hemorragias significativas e subsequente choque circulatório, que podem ser identificados em TC seriada de acordo com a sintomatologia ou em lesões de grau avançado após 24 a 72 horas e corrigidas com esplenectomia. Estudos recentes sugerem sucesso e melhor prognóstico no TNO em caso de TCE e lesão neurológica associada, por evitar a morbidade da anestesia e da laparotomia. CONCLUSÕES: O baço é um dos órgãos mais frequentemente acometidos no trauma abdominal. Saber identificar esse tipo de lesão é fundamental para oferecer o melhor tratamento ao paciente. Embora algumas dúvidas permaneçam, é certo que o TNO de lesões esplênicas, quando instituído com prudência, apresenta excelentes resultados.