Trauma crânioencefálico (TCE) grave em pré-escolar provocado por motocicleta infantil à gasolina

Área: Pediatria

KAUANNI PIAIA

Gabriela Cadaval Coletto
Ariely Batista Hunger
Virgínia Fava Lena
Alliny Beletini da Silva

Introdução: O trauma crânioencefálico (TCE) é uma das causas de traumas mais comuns da infância correspondendo a significativos índices de morbidade e mortalidade, aproximadamente 75 a 97% das mortes. É classificado de acordo com a Escala de Coma de Glasgow em leve (13-15), moderado (10-12) e grave (3-9). O manejo do TCE grave em crianças segue a mesma conduta de atendimento ao trauma e tem como mandatória a realização de exame de imagem, tomografia computadorizada (TC), assim que o paciente estiver estável, para posterior admissão na unidade de terapia intensiva e/ou a intervenção cirúrgica. Método: Realizada a revisão de prontuário do paciente e revisão da literatura. Resultados: Paciente T. S. T., feminina, 5 anos, natural e procedente de Santa Maria, RS, vítima de acidente com motocicleta infantil à gasolina colidindo contra uma parede sofrendo um trauma contuso da cabeça. Paciente chega ao pronto socorro do Hospital Universitário de Santa Maria (PS-HUSM) em maca rígida, com colar cervical iniciando o rebaixamento do sensório somente na chegada ao PS, cerca de 30 min após o acidente. Ao exame apresentava Glasgow 8, sendo intubada e feita reposição volêmica. Apresentava sangramento ativo em couro cabeludo e narinas, sinal do Guaxinim e edema perioral. Realizou TC de crânio que evidenciou hematoma intraparenquimatoso principalmente em região frontal com fratura em afundamento sendo admitida na UTI pediátrica do HUSM. Foi colocada em ventilação mecânica e sedação e o hematoma foi drenado no dia da internação. Durante a internação apresentou sinais sugestivos de comprometimento neurológico, crises convulsivas e agitação nas tentativas de diminuir a sedação e de extubação. Permaneceu internada por aproximadamente 3 meses onde evolui com pneumonia, pancreatite, hipertensão arterial, candidemia, nova pneumonia e diarreia, todos tendo evolução satisfatória com os tratamentos. Recebeu alta em janeiro mantendo o uso de Fenobarbital e Risperidona e encaminhada para acompanhamento multiprofissional, pneumo e neuropediatria. Permanece em seguimento clinico. O diagnóstico final foi de TCE grave com sequelas neurológicas (encefalopatia tetraparética). Conclusão: Podemos perceber a importância da prevenção de acidentes e a importância do manejo inicial na emergência através do atendimento inicial ao trauma (imobilização, via aérea, reposição volêmica e sedação), do posterior cuidado na unidade intensiva e do acompanhamento multiprofissional para o melhor prognóstico.