Atendimento de emergência ao paciente em estado de hipotermia: um relato de experiência

Área: Hospitalar

CRISTINE COELHO CAZEIRO

Déborah Dias Garcia
Daniela Raphaelli Nardin
Lucas Mariano
Zoraide Immich Wagner
Maria Augusta Moraes Soares

Introdução: Hipotermia é uma emergência clínica com elevado risco de óbito e complicações. Definida como temperatura corporal abaixo de 35°C, pode ser classificada como leve, moderada ou grave (abaixo de 28ºC). São sinais frequentes de hipotermia grave: redução do nível de consciência, cianose, hipotensão, bradicardia, bradipneia, acidose metabólica, hipóxia, coagulopatia e queda no débito cardíaco, que pode evoluir para fibrilação ventricular e assistolia. Idosos, vítimas de trauma, alcoolistas e deficientes mentais estão no grupo de risco. Considerando as baixas temperaturas de Porto Alegre durante o inverno e tendo em vista que hipotermia pode levar a deterioração sistêmica de difícil reversão, o objetivo deste estudo é relacionar o quadro de um paciente atendido no Hospital de Pronto Socorro (HPS) vítima de hipotermia, com os achados na literatura. Método: Relato de experiência sobre caso de hipotermia acidental. Resultados: Indivíduo masculino, 77 anos, levado ao HPS após ser encontrado desacordado. Familiares relatam que a vítima é alcoolista e tem por hábito dormir na varanda. Durante a remoção, diante do escore 8 na Escala de Coma de Glasgow (ECG), foi realizada intubação orotraqueal e iniciada infusão de Dopamina. Na emergência constatou-se mal estado geral, cianose de extremidades, temperatura não aferível, bradicardia e hipotensão. Foram implementadas medidas de aquecimento ativo e passivo, infusão intravenosa de volume aquecido, irrigação aquecida por sonda nasogástrica e vesical, utilização de bomba de ar quente entre lençóis e algodão laminado em extremidades. Iniciada noradrenalina e atropina. Houve melhora da cianose e estabilização da pressão arterial e frequência cardíaca, mas a temperatura permaneceu não aferível. Aos exames observou-se aumento da creatinina, uréia, mioglobina e tempo de protrombina. Diminuição de cálcio e plaquetas e alterações em gasometria. Eletrocardiogramas evidenciaram bradicardia sinusal, fibrilação ventricular e bigeminismo.Paciente encaminhado para Unidade de Terapia Intensiva em ECG 6 sem sedação, sob ventilação mecânica e em uso de vasopressor. Hipótese diagnóstica choque cardiogênico ou séptico. Evolui a óbito após parada cardiorrespiratória por assistolia sete dias após internação. Conclusões: O quadro apresentado condiz com a literatura, indicando hipotermia grave. Sugere-se a introdução de termômetros sensíveis a temperaturas a partir de 28ºC nas unidades de emergência, para um diagnóstico mais fidedigno.